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Bentôs: as marmitas japonesas são repletas de sabor e tradição

Amplamente consumidos no Japão, os bentôs têm ganhado espaço à mesa do brasileiro. Dispostas em uma caixinha, as receitas do preparo são variadas e valem por uma refeição completa

, Thiago Bañares
Thiago Bañares | Foto: RJ Castilho

As tradicionais marmitas japonesas, conhecidas como bentôs (ou obentôs), são uma forte marca da gastronomia do Japão. Normalmente compostos por arroz, tsukemono (conserva de legumes e verduras) e alguma proteína, os bentôs fazem parte do dia a dia dos japoneses e são presença obrigatória em viagens, piqueniques e nos intervalos de almoço do trabalho.

Thiago Bañares, chef à frente do concorrido Tan Tan Noodle Bar, tem uma relação afetiva com o preparo. “Pratico gateball (esporte coletivo criado no Japão) desde os meus 10 anos de idade”, conta. “Como normalmente começávamos cedo, lembro-me de os avós nos levarem os ‘bentôzinhos’ para comermos durante o dia. Faz parte da minha vida.”

Segundo ele, que neste ano inaugurou um restaurante delivery exclusivo aos bentôs, chamado OTOTO, essas marmitas japonesas não são mera receita, mas sim um conceito. “Existem diversos tipos e o que dá o nome ao bentô é a proteína, que pode ser peixe, frango, carne suína ou bovina.” O que caracteriza o PF japonês, além da junção das três preparações principais, é a caixinha na qual ele é servido, disponível em diversos formatos e materiais.

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“Mas, na realidade, se você colocar arroz, picles e alguma proteína em um tupperware quadrado já pode ser considerado um bentô”, afirma Thiago. “Tanto é que a moda hoje no Japão é o que chamam de ‘hardcore bentô’, uma caixinha sem divisórias com apenas três ingredientes.” De fato, a palavra bentô tem “conveniente” e “prático” como alguns de seus significados. Porém, embora a ideia seja a praticidade, o capricho na hora do preparo é fundamental.

Símbolo de afetividade

A apresentação cuidadosa, a consideração pelo valor nutricional das receitas e a sazonalidade dos ingredientes são levados a sério no Japão. E no preparo do bentô não seria diferente. Mas é importante ressaltar que eles são elaborados de acordo com a ocasião, em versões que vão desde as caseiras até as mais luxuosas. Em todas elas, no entanto, há a preocupação em servir receitas reconfortantes.

Em 2018, a fim de celebrar os 110 anos da imigração japonesa no Brasil, a princesa Mako de Akishino fez uma visita ao país, cumprindo uma agenda repleta de compromissos. Durante duas semanas, as refeições da realeza ficaram a cargo da chef Telma Shiraishi, que serviu bentôs leves e afetivos, perfeitos para as viagens da princesa.

bentos aprovados pela nobreza
Um dos bentôs servidos à princesa Mako de Akishino | Foto: RJ Castilho

“O bentô é muito versátil”, afirma Thiago. “Normalmente é consumido em temperatura ambiente ou gelado. E as pessoas ainda me questionam muito sobre isso. No Japão, se você quiser comê-lo quentinho é preciso ir a um restaurante ou retirá-lo em um bentoyá, que é uma fábrica especializada em bentôs. Mas a associação que eu faço é com o pão francês. Conseguir saboreá-lo quente é apenas um pequeno luxo que você pode ter se for na padaria e retirá-lo na hora em que foi feito.”

O consumo da receita em temperatura ambiente foi, inclusive, uma tática de Thiago para a aumentar a área de entrega do OTOTO. O restaurante, que por enquanto funciona apenas com delivery, serve as mais variadas receitas de bentô e que levam desde peixe grelhado e frango frito a carne de porco e berinjela. Todas as opções são ornadas com gohan, o arroz japonês e ingrediente indispensável, além de legumes, ovos, molhos, entre outras preparações.

Bentô caseiro

A quem quiser reproduzir a tradicional marmita japonesa em casa, Thiago diz que basta pensar nos três ingredientes principais: arroz, proteína e conserva. Em relação ao arroz, o chef conta que também é possível servi-lo em forma de oniguiri, uma espécie de bolinho.

Já as conservas, que são um pouco mais trabalhosas, Thiago afirma que podem ser facilmente encontradas prontas para consumo. “Nas mercearias japonesas você tem à disposição uma variedade enorme de conservas”, conta. “Quanto às proteínas, podemos fazer com peixe grelhado, porco empanado, rosbife e até mesmo aquela carne de panela que temos em casa.”

O karaage, frango frito japonês, é bastante consumido nos bentôs e pode ser feito em casa com uma sobrecoxa desossada e temperada com gengibre, alho, shoyo e saquê. “Depois é coberta por uma massa líquida de fécula de batata e ovo, e frita.” Outra opção é o frango grelhado com molho teriyaki, elaborado com shoyu, saquê e açúcar e reduzido até ficar bem espesso. Além disso, como acompanhamento, a sugestão é uma omelete, servida enrolada e com um pouco de cebolinha.

Com as receitas prontas, basta escolher uma caixinha e acomodar os ingredientes da maneira que preferir. “Não tem segredos”, diz Thiago.

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Beatriz Albertoni

A paulistana divide-se entre duas paixões: jornalismo e gastronomia. Formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, a repórter está na redação de Prazeres da Mesa desde 2015. Adora conhecer histórias, viajar e apreciar um bom show de rock, além de nunca recusar bolo acompanhado de cafezinho.

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